O Poço

Em uma prisão vertical com mais de 300 andares a baixo do chão, o desafio é viver em meio a vários detentos em uma única sela com um unico elevador que leva comida para todos os andares, mas quando percebem que a comida não chega a todos os andares a moral não tem mais valor e a vida é o principal objetivo.
Um terror psicológico que te deixa fazer suas escolhas, refletindo sempre o que você faria em uma situação dessas, ainda influenciando todo o caminho já apresentado. O Poço é um filme que deixa claro quem é o motivo para que exista uma sociedade desregulada, o julgamento por quem está vivendo dentro do poço é claro, o sistema estruturado trabalha de forma democrática, fazendo o elevador passar por todos os andares sem exceções, o filme julga a incapacidade do outro se importar com as pessoas ao seu redor quando a vida dele está em risco - e isso é o que vemos na nossa sociedade de hoje (fazendo um paralelo direto com a pandemia que estamos passando, onde as pessoas se desesperam nos mercador comprando tudo e esquecem dos que realmente precisam desses itens).
O diretor Galder Gaztelu-Urrita não fica em cima do muro e deixa toda sua opinião sobre a sociedade em que vivemos, no filme. Decidindo por retratar uma hipocrisia, pois no poço se um dia você está lutando para sobreviver no andar 177 no outro dia você pode estar se esbanjando de comer no andar 6 sem pensar no seu passado e não pensando que possíveis outras pessoas ficaram sem comer. Um sistema que não importa com sua cor, gênero, idade, classe social, ou qualquer outra nomenclatura que divide o ser humano, as pessoas ali que destroem a política do local culpando sempre o sistema.
O final do filme é deixado em aberto podendo ter várias interpretações, uma vez que o objetivo é igualar comida e dizer que o poço é falho por ter pessoas - e todos são falhos - cabe ao público decidir o que irá acontecer.
O Poço causa exatamente o que queria no público, um sentimento de pavor e angústia, fazendo uma crítica direta pensado em quem está do outro lado, e também fazendo outros olhares ao mundo em que vivemos e na injustiça que nos cerca e abala.
